Foto: Beto Albert (Arquivo/Diário)
Campeão mundial militar em 2024, o santa-mariense Denilson Souza busca formas de incentivar e apoiar outros atletas

A medalha de ouro conquistada no Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco, em junho, e o bronze no Tiro Esportivo nas Olímpiadas do Exército, em julho, são apenas parte da trajetória do santa-mariense Denilson Souza no esporte paralímpico. Em 2024, o atleta voltou para Santa Maria com grande recepção, após trazer a medalha de ouro do Mundial Militar de Tiro com Arco, disputado em Bangladesh.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Em entrevista ao programa Papo D Esporte, da Rádio CDN 93.5 FM, o paratleta falou sobre os resultados recentes, a rotina de treinamentos e a missão de incentivar outras pessoas com deficiência a ingressarem no mundo do esporte.
Militar da reserva, Denilson atualmente dedica-se ao tiro com arco em busca de resultados que possam levá-lo às próximas Paralimpíadas.
– Não é fácil, mas a gente pratica sempre com esse desejo. Também é uma porta que se abre para outras pessoas conhecerem a modalidade, seja por lazer ou por alto rendimento.
Resultados recentes
Entre os principais resultados da atual temporada está o título no Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco, disputado entre 26 de maio e 2 de junho, em São Paulo. Ao lado de Lindiara Souza, Denilson conquistou o primeiro lugar na categoria Dupla Mista com arco recurvo.
Além do ouro no tiro com arco, Denilson conquistou a medalha de bronze nas Olimpíadas do Exército, competindo pelo Comando Militar do Sul, desta vez no tiro esportivo.
– Foi meu primeiro contato com a carabina e já deu medalha. Gostei muito da modalidade – contou.
Incentivo
Durante a entrevista, Denilson destacou a importância do Programa Militar Paralímpico, iniciativa voltada a militares da reserva com deficiência.
Segundo ele, muitos integrantes das Forças Armadas desconhecem a existência do projeto.
– As pessoas não sabem disso. Quando aconteceu o meu acidente, nem foi cogitado que eu poderia praticar o paradesporto. Hoje procuro divulgar essa possibilidade. O esporte é uma ferramenta fantástica, porque ninguém vai praticar pela pessoa, ela tem que querer – afirmou.
Atualmente, Denilson divide os treinamentos entre a Universidade Federal de Santa Maria, onde utiliza a estrutura do Centro de Referência Paralímpico e a própria residência.
– O tiro com arco exige um espaço de 70 metros, então treino na universidade. Já a carabina precisa de um espaço de 10 metros, seguro, e consegui montar isso em casa com orientação do meu irmão João Deni e do pessoal da Socepe – explicou
O esporte como recomeço
Denilson sofreu um acidente em 2006, quando caiu de um telhado e ficou paraplégico. Segundo ele, o esporte foi fundamental para reconstruir a própria vida.
– Comecei a praticar esporte para fugir de uma depressão, de outros caminhos que não agregariam em nada. No momento assim, a minha família foi quem mais sofreu. Quando comecei a praticar esporte, a maior vitória foi ver o brilho no olhar da minha família – disse.
Durante a entrevista, emocionou-se ao lembrar da mãe, Alba Rodrigues, que faleceu em maio deste ano, poucos dias antes da disputa do Brasileiro.
– Ela deixou um legado. Fez com que o filho dela se tornasse forte. Quando recebi a convocação para disputar o Mundial de Bangladesh, fiz a primeira continência sentado em uma cadeira de rodas para ela. Disse que esperava voltar campeão. Mas, para ela, eu já era campeão – relembrou o atleta.

Investimento
Denilson explicou que o principal obstáculo para ampliar a participação em eventos continua sendo o custo das viagens.
– Tudo é grana. O deslocamento exige investimento. A gente acaba focando nas principais competições, onde consegue chegar e buscar um bom resultado – disse.
No Mundial Militar de Bangladesh, em 2024, quando foi campeão mundial, o atleta recebeu apoio integral do Exército Brasileiro. Já na competição militar disputada em Brasília em julho, viajou por mais de 40 horas de ônibus.
Além da carreira esportiva, Denilson mantém a Campanha Paratleta, que arrecada tampinhas plásticas para ajudar na compra de equipamentos destinados a atletas com deficiência.
Segundo ele, a iniciativa já contribuiu para a aquisição de uma bicicleta adaptada (petra), utilizada atualmente por uma atleta do Centro de Referência Paralímpico da UFSM.
– Cada quilo de tampinha ajuda. Essa bicicleta foi adquirida graças à campanha e hoje está sendo utilizada por uma atleta que já conquistou medalhas. Não existe somente o Denilson praticando esporte paralímpico em Santa Maria. Tem muitas pessoas com potencial. O importante é mostrar para elas que existem oportunidades – concluiu.
Confira a entrevista completa